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Poema sofrido

maio 31, 2014

Sozinho, com pés descalços
Sobre o chão gelado do meu quarto
Interminável, em seus pequenos cantos
Carentes de quem os dê sentido.

Para além das janelas
Os prédios se estendem
Sob a tutela das nuvens
Pesadamente cinzentas

Num fenômeno quase astral
Ela cobre em um quase abraço
Que por pouco se completa
No espaço entre nós dois –

No instante decisivo
Que precede o inevitável
Nossos olhos se tocaram
Com a leveza do banal

Mas sequestrado
Pelo peso do real
Não restou mais do que
O não-choque entre dois corpos

E ela se quebrou inteira.
Se fez chuva
De pequenos pedaços
De existência.

Com a melancolia conformada
Dos dias que vem e vão
Vi minha vista se velar
Sobre o mundo que me cerca

Passo a passo afinei minha audição
Para a sutileza de suas gotas
Explodindo sobre o acaso.

Distante, uma delas
Toca meu labio e escorre pelos dentes
Fazendo caminho até as papilas

Do ponto de onde irradia
A leveza de seu sabor
Sinto tudo que se fez em mim

E tudo se desfaz num sopro
Sobre um dente-de-leão

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From → poesia

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